Duvel Tripel Hop 2014, o estado da arte em cerveja

Peço licença ao mestre Nelson Rodrigues, mas, no caso da cerveja belga Duvel, de burra a unanimidade não tem nada!

13 de maio de 2014


A versão original é excelente, e esta edição especial, que a cada ano acrescenta uma variedade diferente de lúpulo, é ainda mais interessante. A história da Duvel Tripel Hop começa no ano de 2007. O intuito era fazer apenas uma edição da cerveja, mas o sucesso foi tamanho que os estoques se esgotaram em apenas três dias, chegando a ser vendida em sites como o e-Bay por até US$ 75 a garrafa. Inconformados, os fãs da marca iniciaram uma campanha pela volta da produção, com o objetivo de angariar 10 mil assinaturas. Em menos de quatro semanas, 17 mil pessoas assinaram a petição e, para alegria de todos, a Duvel Tripel Hop voltou a ser produzida.

 

Conceito

A Duvel tradicional é elaborada com duas variedades clássicas de lúpulo: Saaz, ingrediente básico das Pilsen da República Checa, bem aromático, com um toque seco, e Styrian Golding, original da Eslovênia, mais cítrico. À versão Tripel Hop é adicionada uma terceira variedade, que muda a cada ano. Para 2014, foi escolhido o norte-americano Mosaic, que acrescenta complexidade ao perfil sensorial da bebida, deixando-a ainda mais cítrica e aromática. Para intensificar aromas e sabores, o teor alcoólico sobe de 8,5% para 9,5% e a cerveja recebe uma segunda dose deste mesmo lúpulo através da técnica do dry hopping. Pode parecer muito – e certamente não é pouco – mas o álcool é bem inserido, não incomoda. Este é um dos motivos pelos quais, em 1923, a cerveja foi batizada de “Duvel”, palavra que no idioma flamengo significa “demônio”. É o tipo de “disfarce” que minha finada avó Brígida chamaria de “brasa encoberta”...

 

A cerveja

A degustação da Duvel fica muito melhor se feita no copo adequado (vide foto), não é preciso que seja o copo da própria cerveja, desde que tenha o mesmo formato. A espuma, branca e abundante, e o tom amarelo-pálido, levemente turvo, estão ali, como na versão original. É no nariz que começa a brincadeira, cítrico, frutado, abacaxi maduro, lima da pérsia, limão siciliano e, claro, lúpulo aromático. Na boca, o elevado teor alcoólico se faz sentir, mas sem exageros, acompanhado de sabores cítricos, um toque de manga e um fino amargor de casca de laranja que se prolonga no aftertaste. No geral, pode-se dizer que é uma Duvel “turbinada”, mas com a elegância característica da casa Duvel Moortgat. Aqueles que usam e abusam do lúpulo de maneira indiscriminada deveriam repensar suas escolhas e tratar este nobre ingrediente com o devido respeito, assim como os mestres belgas.

 

Serviço

A dica é servir a cerveja devagar, com o copo a 45 graus, virando-o até completar. O fabricante recomenda que se deixe cerca de um centímetro do liquido na garrafa, pois a levedura acumulada no fundo pode deixar a cerveja com um amargor além do desejável. Há quem sirva este final em um pequeno copo, à parte. Outra dica: reserve já a sua garrafa, pois a edição é limitada. Saúde!

Alessandro Pinesso

E-mail: pinesso@gmail.com

Sommelier de cervejas formado pela ABS e Association de la Sommellerie Internationale e Mestre em Estilos Cervejeiros pelo Instituto da Cerveja Brasil, associado ao Brewers Association dos EUA. É autor do capítulo especial da edição brasileira do livro “Filosofia de Botequim”, de Matt Lawrence

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